ESTRELA 1982

 

Francisco Vieira e Brito / Ricardo Grilo

Uma excelente lista de inscritos, a temperatura estival e a grande tradição da prova arrastaram uma enorme multidão à Serra da Estrela. No entanto, apesar de um comunicado do ACP anunciar "corridas excepcionais", alguns dos principais inscritos faltaram, retirando muito do interesse competitivo a esta prova. O caso mais notório foi o da Equipa Almeras, pois Jean Marie destruiu o Porsche 935 e ficou gravemente ferido na prova anterior - Rampa de Alpl, na Áustria e a ausência forçada da equipa de Montpellier impediu a presença de quatro Porsches (dois Grupo 5 e dois Grupo 4) entre os quais aquele que estava contratado com a equipa francesa para Mário Silva. Entre os candidatos aos melhores lugares do Grupo A, o novo BMW 5.28i de Álvaro Parente também faltou por ter ficado retido na fronteira.  Não compareceram também o Ford Capri Zakspeed Turbo de Herbert Stenger, o BMW M1 de Rolf Goering e três dos quatro protótipos inscritos.

Mesmo assim, foi possível contar com as presenças de Kurt Buess, (Lola T-298), Claude-François Jeanneret (BMW M1),  Jozsef Cserkuti (BMW 320), Herbert Hurter (Ford Escort RS) e os espectaculares Skoda 130 RS de Petr Dolezam, Georg Alber e Antonin Charouz.

Sendo uma das rampas mais curtas do campeonato europeu, a Serra da Estrela tinha (e tem) que ser disputada em duas mangas, com o somatório dos tempos a atribuir a classificação final. O percurso, com excelente piso, tinha 5,260 km com grande parte do percurso ladeado por barreiras metálicas (um verdadeiro luxo em Portugal de 1982). Como bem comparava Pedro Mariano na reportagem para a revista Automundo, a inclinação de 8,88 por cento da subida da Estrela era significativamente superior aos 7% da grande rampa após o Viaduto Duarte Pacheco, na A5 (Lisboa-Cascais). Como na serra, este desnível era percorrido várias centenas demetros acima do nível do mar, os problemas de carburação constituíam uma recorrente fonte de preocupação para a maioria dos participantes.

No entanto, apesar do interesse dos carros presentes a corrida foi mesmo pouco emotiva em termos de disputa pelos lugares cimeiros, pois tal como se adivinhava face ao quadro dos presentes, na classificação geral Kurt Buess não teve dificuldade em impor o único protótipo presente na Covilhã aos BMW's de Jeanneret e Cserkuti. Entre os portugueses viveu-se um aceso duelo entre Mário Silva e Manuel Fernandes (Toyota Starlet), favorável ao primeiro. O facto mais notório terá sido o recorrente derramamento de óleo na pista por parte de um inusitado número de concorrentes, obrigando a inúmeras interrupções para as indispensáveis operações de limpeza e à nítida diminuição de andamento para os últimos concorrentes da segunda subida. Por essa altura a pista estava escorregadia e coberta de cimento em pó que à passagem dos carros se espalhava um pouco por todo o lado...

 

     Único concorrente com um protótipo de grupo 6, Kurt Buess (Lola T-298 BMW) era o vencedor antecipado da Rampa da Serra da Estrela...   (foto: Francisco Vieira e Brito)

      Com este BMW M1, Claude François Jeanneret foi o segundo da geral e o vencedor do Grupo 4.   (foto: Francisco Vieira e Brito)

      As suspensões de Rallye com que o Escort estava equipado não ajudaram António Rodrigues a tentar suplantar Mário Silva e Manuel Fernandes na disputa do melhor lugar entre os pilotos nacionais; é visível nas fotos a tendência subviradora que o carro apresentava, que o piloto tenta contrariar...   (foto: Francisco Vieira e Brito)

       António Rodrigues e o Ford Escort RS 1800. Apesar de tudo, o piloto vimaranense conseguiu ser o 3º entre os portugueses,  mantendo assim intacta a aspiração ao título nacional.   (foto: Francisco Vieira e Brito)

 
  Aproveitando a ausência de Herbert Stenger em Capri Zakspeed, Jozsef Cserkuti não sentiu dificuldades em impor o impressionante BMW 320 de grupo 5 aos Skoda 130 dos pilotos checos e ao Mini 1275 de Eduardo Rebelo.  (foto: Francisco Vieira e Brito)

 
  Edgar Grund alcançou o melhor posto entre os Grupo 2...  estrangeiros. Na classificação geral, o melhor do Grupo 2 foi o endiabrado Toyota Starlet 1300 de Manuel Fernandes que simultaneamente foi o principal rival de Mário Silva na disputa do título de melhor português.   (foto: Francisco Vieira e Brito)

    Mário Silva cotou-se como melhor piloto nacional, impondo-se a Manuel Fernandes em Toyota Starlet (grande despique), António Rodrigues (Escort RS1800) e Celestino  Pereira (De Tomaso); na foto vê-se também o nosso colaborador Francisco Vieira e Brito, com 18 anos de idade !   (foto: colecção Francisco Vieira e Brito)
 

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Esta evocação da Rampa da Serra da Estrela de 1982 foi escrita por Francisco Vieira Brito e Ricardo Grilo, com apontamentos próprios e ainda alguns elementos da reportagem de Pedro Mariano na Revista Automundo nº186.  Todas as fotos de Francisco Vieira e Brito

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